quarta-feira, 5 de setembro de 2012

TRANSITORIEDADE




A vida é transitória.

Tudo passa nesta vida:

As tormentas, as tristezas,

A pobreza, a riqueza

A juventude, a velhice

As derrotas e as vitórias.



Os caminhos e os espinhos,

As pedras e os degraus,

Os perigos e os tropeços,

A trama e a fama,

A jornada dos Peregrinos.





O primeiro amor,

Os anos de vigor,

Os desenganos;

O sonhar,

O querer,

O prazer;

Nada vai ficar.

Tudo vai passar.



O segundo, o minuto,

O outono, o inverno,

A primavera,

A esperança;

A abastança,

O luto...

E tudo mais.

Mas o amor,

O amor é eterno,

O amor vai ficar.



DRAMA EXISTENCIAL




Eu sou.... eu sou!

Grito, cogito, existo.

Existência, não Essência,

Criatura, não Criador.



Sentimento e pensamento

Consciência da realidade,

Universo e identidade.

Meu tudo, meu ser, meu nada.



Então percebo você.

Outro ser além de mim,

Não sei..., tenho receio,

Você é tão outro assim!





Eu e você, você e eu

Irresistível atração de amor.

Mas há outros seres ao redor,

Gente como você e eu.



Sinto que tenha de repartir

Meu eu e meu ser com você,

Mas resisto; meu egoísmo

É mais forte que meu ser.



DEVANEIOS DE UM BANCÁRIO




Sou um eficiente funcionário de banco,

Um triste “guarda livros” do século passado,

Que registra depósitos milionários

Na conta de correntistas afortunados.



Ah se eu possuísse estes milhões sem conta,

Ou se não tivesse de tanta conta dar conta,

Correria pelos os caminhos do mundo afora

Bailando e cantando até o romper da aurora.

.

Muitos não sabem o que fazer com seus milhões!

E eu vivo a contar minha fortuna em tostões;

A chuva lava estátuas, e o sol brilha lá fora.

Enquanto o contador fica à mercê das horas.



quinta-feira, 19 de julho de 2012

O PRISIONEIRO



Pela grade da janela da cela, vejo o céu,

Tão azul, tão límpido, tão belo!

E sobre o telhado avermelhado do presídio,

Uma palmeira agitada pelo vento

Sacode suas longas palmas.

Visão única do mundo lá de fora.



Empoleirado na cornija do telhado,

Um pássaro previdente,

Prenunciando chuva e frio,

Impermeabiliza suas penas,

Termina seu rito de acasalamento

E alça vôo livre para o infinito.



O sol, emoldurado pela grade de ferro

Faz tudo parecer quadrado.

E a sombra do telhado projetado

Nas paredes da cela fria

Marca os últimos momentos do dia.



Picado pela mosca do ideal e da razão

E por querer libertar o povo da opressão;

Condenado pelos pecados de usar a pena,

Pintar o rosto e protestar na arena;

Fizeram-me prisioneiro de meus sonhos.







Besaliel F. Botelho



Em memória do poeta Paul Verlaine

Inverno de 2012

quarta-feira, 18 de julho de 2012

ESPERANÇA



Esperança, pássaro cantante

Empoleirado na alma;

Repetindo o mesmo acalanto.

Até o último instante.



Esperança, suave brisa de verão;

Fôlego de vida...

Que vibra e faz vibrar

As cordas do coração.



Esperança, siga adiante!

Não desanime!

Não desista, terra à vista!

Nuvens no horizonte!



Esperança: o bem vai vencer o mal

O sofrer, o pranto e a dor.

Não mais existirá. E em seu lugar:

O gozo, a alegria, a paz e o amor.







segunda-feira, 16 de julho de 2012

ENTRE O VIVER E O SONHAR

 
Vivo entre o viver e o sonhar

Entre o ser e o devaneio;

Aquilo que parece ser sonho

É o real que mais anseio.

 
Sonho transpondo margens

Em cada curva do caminho;

E nessas loucas viagens

Corre sempre sinuoso rio.

 
Na casa que hoje habito

Tudo que penso e inda sou...

É castelo de areia... medito;

É um sonho que já passou.

 
Quem pensa ser real o sonho,

E vive em roseos devaneios,

Não despertou do sono,

Nem alimentou anseios.




Versos escritos numa tarde fria de inverno,

Campinas, julho de 2012





quinta-feira, 12 de julho de 2012

DIVINAL COSMOGONIA

Fim de tarde... o crepúsculo começa.

Paira no ar prenuncio de melancolia.

Nas arvores, o sussurrar da ventania,

No céu plúmbeo, dos enamorados desprezada,

A lua, desmitificada, de tristeza se embaça.

Quando enfim anoitece...

Tentativas de estrelas aparecem,

Pontilhando a imensidão do céu;

É a hora do recolhimento e da prece.

As horas se alongam no inverno

Cada minuto parece ser eterno...

Teme-se que o astro rei não mais retorne

E em seu lugar, soberana, reine a noite.

Não mente nem falha a divinal cosmogonia:

Surge no horizonte o primeiro raio do sol,

Anunciando o raiar de um novo dia:

Um novo começo, mais um arrebol.



quarta-feira, 20 de junho de 2012

O ARCO-IRIS




Quando Noé abriu a janela da Arca

Naquela manhã do dilúvio, no arrebol,

Viu algo estranho desenhado no céu:

Um grande arco irisado pelo sol.



Linda imagem de variegadas cores,

Com todos os matizes das flores;

Algo visível, mas intangível, como o horizonte

Que une o céu à terra, mas sempre distante.



Após o dilúvio, a vida recomeçara.

Como o ramo de oliveira prenunciara.

“Este é o arco da minha aliança;

Penhor de perdão e de esperança.”



Desde então, após cada tempestade,

Surge no céu o “arco da esperança”

Como prenúncio de paz e bonança,

Revelando de Deus sua bondade.



Bela policromia das artes divinas,

Abraçando o firmamento e as colinas,

E confortando o coração da gente:

Com promessas de vida permanente.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

A FLORESTA TROPICAL



Outeiros e vales verdejantes,

Paisagens cobertas de verdura,

Montanhas de contornos ondulantes

Indicando o gênero da natureza pura.



Ambiente de beleza e encantamento,

Trilhas na mata fechada e escura,

Ruído de animais em acasalamento,

Cadeia alimentar que a fome procura.



As copas das arvores maiores

Impedem a penetração da luz solar;

Não se sabe se é dia ou se é noite,

Nem se sabe se lá fora inda brilha o luar.



As gotas frigidas do orvalho matinal

Inda repousam nas folhas gigantes;

O som ritmado das águas cantantes

Quebram o silencio da vida natural.



Calor, umidade, singeleza e variedade.

Meio ambiente e sustentabilidade,

Eis aqui; num esboço poético e digital;

O retrato saudoso da floresta tropical.



Besaliel F. Botelho

A Propósito do Rio+20

Junho de 2012

Cuidado! Sou Fragil


CUIDADO! FRAGIL





Cuidado! Sou frágil.

Tenho a idade dos decanos, e mais,

A leveza e fragilidade dos cristais;

Qualquer atitude rude, quebrar-me-á fácil



Cuidado! Sou frágil.

Aparentemente forte, mas ledo engano;

Tenho a essência de todo ser humano:

Sou um caniço agitado pelo vento, sou frágil.



Toque-me com ternura, com brandura.

Não finja que sou invisível, intangível...

Ao passar, acene; note minha presença.



Trate-me com carinho, dê-me sua mão

Preciso de seu apoio, de seu abraço

Lembre-se, sou frágil, mas sou seu irmão!



segunda-feira, 9 de abril de 2012

MADRUGADA DE RESSURREIÇÃO (2)

A natureza toda desperta com alegria:
É o alvorecer; o raiar de um novo dia.
Nos vales e nas montanhas
Alviçareira noticia ecoa:
Cristo vive! Cristo vive! Aleluia!


O galo da “Fortaleza Antônia” repete seu canto;
O orvalho do monte Hermon recolhe seu manto,
E o bem-te-vi, na copa das árvores, canta:
Eu também vi! Eu também vi!


As águas cristalinas das fontes de Sião
Dedilham nas pedras, no ritmo das moneras,
Uma nova melodia; uma nova canção:
Cristo vive! Cristo Vive! Aleluia!

Na madrugada, mulheres levam especiarias.
Para ungir o corpo santo de Jesus.
E o jumentinho solto nas pradarias,
Saltitante, em trote galopante anuncia:
Cristo vive! Cristo vive! Aleluia!

E o sábado da lamentação, da tristeza e da dor
Cede lugar ao domingo, O Dia do Senhor.
O dia em que Jesus ressuscitou.
Por isso, cantamos:
Cristo vive! Cristo vive! Aleluia!


sábado, 17 de dezembro de 2011

CELEBRAÇÃO NATALINA

Celebramos neste dia
Boas novas de alegria
Proclamadas aos pastores
Nas cercanias de Belém.
Anjos diziam, com louvores:
: “Hoje vos nasceu o Messias,
O Rei da Glória, o Sumo Bem.

E numa humilde manjedoura
Pastores encontraram Maria
Que em seus braços acolhia
Uma encantadora criança.
(Que da vida é a esperança;
Que do mundo é a luz)
E ela dizia: Seu nome é Jesus.

Guiados por estrela peregrina
Magos das terras do além
Chegaram a cidade de Jerusalém,
E ao rei Herodes perguntaram:
Onde está o recém-nascido, Rei dos judeus?
Em Belém da Judéia, responderam,
Conforme vaticinara o profeta de Deus.

Orientados pela luz da estrela peregrina
Foram até a pequenina cidade de Belém
E encontraram José e Maria
Numa humilde e rude estrebaria
E Jesus deitado numa manjedoura;
Abrindo seus ricos tesouros,
Ofertaram incenso, mirra e ouro,
E prostrados O adoraram.

Celebremos o Natal, celebremos!
Com luzes multicores,
Com hinos de louvores
E com sincera devoção.
Jubilosos, nos prostremos
E agradecidos, ofertemos
Os tesouros de nosso coração.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

CUIDADO! FRAGIL


Cuidado! Sou frágil.
Tenho a idade dos decanos,
A leveza e fragilidade dos cristais;
Rude atitude quebra me fácil

Cuidado! Sou frágil.
Sólido aparentemente. Ledo engano;
Tenho a essência de todo ser humano:
Sou um caniço agitado pelo vento, sou frágil.

Cuidado!
Toque-me com ternura, com brandura.
Não finja que estou invisível, intangível...
Estou aqui! Veja minha sombra no chão.

Cuidado!
Trate-me com carinho, abra o caminho...
Preciso de seu apoio, de seu abraço;
Lembre-se, sou seu irmão!

...

Cuidado! Sou frágil.
O Senhor é minha fortaleza.
Meu Castelo forte, minha certeza,
Meu criador, meu redentor, minha salvação.

.
Besaliel F. Botelho

terça-feira, 4 de outubro de 2011

LOUÇANIAS DO OUTONO

Ergo minhas mãos ao céu,
Como para alcançar as estrelas
E convido a noite para rodar...
Para bailar... para cantar...

Estrelas mil no firmamento
Iluminam meus pensamentos;
Parecem olhos a piscar, a piscar...
Zombando de meu insano cismar.


Na terra, a brisa levanta pálpebras nas veredas,
Criando a cadeia das louçanias do outono.

A fragrância dos eucaliptos, perpetua a pureza.
Noite e dia, pegadas são orfanadas pela natureza;
Fumaça de lenha tinge as nuvens de lembranças,
A seiva das queimadas viceja a mata na cachoeira de prata.

Terra dura, difícil semeadura, e a chuva,
Bálsamo do grão vindouro,
Rega a pradaria rendilhada pelos fios de ouro.

Besaliel F. Botelho
Inspirado no poeta Márcio Ravache.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

MÃOS VAZIAS

Aproxima-se o final de meus dias
E ainda tenho as mãos vazias,
Diante de vós e do meu Senhor.

Vazias como as mãos do penitente;
Vazias de caridade, vazias de piedade.
Vazias de serviço, vazias de oração.

Hoje, apraz-me confessar, e o faço
A vós, que me seguistes, passo a passo,
Testemunhando minha ingrata omissão.

Estas mãos estendidas, súplices e frias,
São as mesmas do ladrão arrependido
Que clama por misericórdia e perdão.